Uma das evoluções mais notáveis na área da impressão especializada é a produção híbrida. Nesta técnica, a serigrafia e a impressão digital são combinadas para produzir aplicações gráficas e industriais de forma eficiente e com alta qualidade.
Serigrafia e impressão digital combinadas? Para que isso fosse possível, foi preciso primeiro uma aproximação, e isso por parte de ambos os lados. Afinal, nos últimos 30 anos, a impressão digital tirou enormes volumes de trabalho à serigrafia. Enquanto as gráficas exclusivamente digitais muitas vezes consideravam a impressão analógica antiquada, os serigrafistas experientes costumavam criticar a qualidade das impressões digitais.
A primeira coisa que mudou foi no final da década de 2010, com uma nova geração de funcionários das gráficas, mas sobretudo com os seus clientes. Hoje em dia, quem compra produtos de impressão dá especial importância ao facto de estes corresponderem totalmente às suas necessidades e serem económicos. E isto independentemente de se tratar de impressão analógica ou digital. Afinal, a serigrafia e a impressão digital têm, cada uma, os seus pontos fortes e fracos. As gráficas especializadas já perceberam isso há muito tempo e, por isso, é cada vez mais comum ver linhas de serigrafia e impressoras digitais lado a lado nas salas de produção.

A eletrónica impressa exige muitas vezes uma combinação de serigrafia e impressão digital. Foto: Sonja Angerer
Vantagens e desvantagens da serigrafia e da impressão digital
Como processo analógico, a serigrafia precisa de matrizes de impressão. É verdade que, nas últimas décadas, a sua criação ficou bem mais fácil, rápida e também mais ecológica. Mesmo assim, a produção das telas leva tempo e tem custos. Como estes custos são repartidos por cada produto impresso, quanto menor for a tiragem, mais se faz sentir o peso da produção das telas. Por isso, tiragens muito pequenas ou peças únicas tornam-se rapidamente pouco rentáveis. Dada a procura atual por produtos personalizados e individualizados, esta é a maior desvantagem da serigrafia.
Mas a serigrafia também tem muitas vantagens que são super úteis na produção híbrida. Por exemplo, existem tintas e primários fiáveis para uma grande variedade de superfícies, como têxteis, cerâmica, vidro e metal. A serigrafia permite aplicar camadas espessas, o que resulta num elevado poder de cobertura e intensidade de cor. Além disso, as impressões em serigrafia são extremamente duradouras e, normalmente, mais resistentes ao desgaste e às intempéries do que as impressões digitais.
Ao contrário da serigrafia, a impressão digital não usa matrizes de impressão, porque a imagem é transferida diretamente de um ficheiro digital para o material. Por isso, é ideal para pequenas tiragens, dados variáveis e impressões personalizadas. Além disso, não é preciso alinhar os motivos. Especialmente na impressão de quatro ou mais cores, a impressão digital é muitas vezes superior à serigrafia em termos de qualidade. Isso porque os detalhes finos e os gradientes são mais fáceis de reproduzir com precisão.
Nas impressoras digitais, normalmente só se usa uma tinta. Assim, já não é preciso fazer mudanças de cor complicadas. Também por isso, o tempo de produção fica muito mais curto em comparação com a serigrafia. Mas essa falta de flexibilidade na escolha da tinta é, ao mesmo tempo, o maior ponto fraco da impressão digital, sobretudo em aplicações industriais.
É que os fluidos altamente pigmentados ou pastosos, que se encontram a preços acessíveis no mercado mundial para serigrafia, muitas vezes não são compatíveis com as cabeças de impressão comuns. Em alguns casos, é possível adaptá-los à impressão digital. Mas isso dá muito trabalho e é caro. Para camadas com alta cobertura, muitas vezes são necessárias várias passagens da cabeça de impressão, o que torna a impressão, no geral, muito lenta.

A produção híbrida é frequentemente utilizada na impressão em interior para decoração de paredes. Foto: Sonja Angerer
Produção híbrida: a combinação da serigrafia com a impressão digital
A produção híbrida combina as vantagens da serigrafia e da impressão digital para maximizar a eficiência e a qualidade dos produtos impressos. Isso permite otimizar os custos de produção. É que, nos processos híbridos, a serigrafia é usada para a aplicação de primário, elementos fixos de um design e grandes áreas de tinta, primário ou vernizes. Além disso, é fácil aplicar fluidos especiais, como pastas condutoras para eletrónica impressa, através da serigrafia.
A impressão digital é ideal para elementos detalhados e variáveis, motivos sem repetição ou gradientes multicoloridos. Assim, os processos híbridos que combinam a serigrafia com a impressão digital permitem criar designs complexos e fabricar produtos que seriam difíceis de realizar com um único processo, ou que só seriam possíveis a custos muito mais elevados, ou mesmo impossíveis de concretizar.
No entanto, a produção híbrida também tem as suas desvantagens. Por exemplo, em comparação com a impressão digital pura, a pegada ecológica é significativamente maior. Isso porque são necessárias duas máquinas: uma linha de serigrafia e uma impressora digital. É preciso ter a infraestrutura para a impressão digital, assim como equipamentos para revestir e remover o revestimento das telas. Isso consome muita energia, água e produtos químicos. Além disso, é necessário muito conhecimento especializado para que a serigrafia e a impressão digital funcionem em perfeita sintonia.
No entanto, se tivermos em conta que muitas aplicações possíveis com a impressão híbrida não poderiam ser produzidas, ou não seriam rentáveis, nos processos individuais, isso acaba por relativizar a situação. Em comparação com os processos puramente analógicos, a impressão híbrida também reduz consideravelmente os tempos de produção.

Muitas aplicações de embalagem podem ser produzidas de forma mais rápida e económica com processos híbridos. Foto: Sonja Angerer
Áreas de aplicação da impressão híbrida
A produção híbrida, que combina serigrafia e impressão digital, é utilizada em vários setores, entre os quais:
- Indústria têxtil: Para a produção de t-shirts, sacos e outros artigos têxteis que precisam de ser impressos com durabilidade e com grande detalhe.
- Embalagens: Na produção de embalagens em grandes quantidades, que são adaptadas a nível regional, sazonal ou para campanhas promocionais.
- Decorações interiores impressas: Na impressão de papel de parede com faixas decorativas especiais, toalhas de mesa e tapetes.
- Técnicas de publicidade: Para banners e letreiros publicitários de grande formato, que exigem designs apelativos e elevada durabilidade.
- Eletrónica: Para a impressão de placas de circuito impresso e outros componentes eletrónicos, onde a precisão e a durabilidade são fundamentais.
O futuro é híbrido
A produção híbrida, que combina a serigrafia com a impressão digital, oferece uma série de vantagens na impressão especializada. Em aplicações adequadas, é possível melhorar significativamente tanto a qualidade como a eficiência da produção de impressão, ao mesmo tempo que se protege o ambiente.
As empresas de impressão digital que trabalham com processos híbridos muitas vezes já não precisam de canais de verniz ou de branco nas suas impressoras. Como estes podem ser propensos a falhas, sobretudo quando usados apenas esporadicamente, minimizam assim também os custos de manutenção.
A produção híbrida compensa sobretudo nos casos em que já existem máquinas de serigrafia e pessoal especializado com experiência. Mas mesmo as gráficas exclusivamente digitais podem beneficiar, em determinadas aplicações, da aquisição de tecnologia de serigrafia. É de esperar que, no futuro, os clientes de impressão exijam aplicações ainda mais complexas. As tecnologias utilizadas para as concretizar são, muitas vezes, uma questão secundária para os compradores de impressão de hoje. Por isso, é de esperar que os produtos híbridos, criados com serigrafia e impressão digital, venham a ter uma procura ainda maior no futuro.