A eletrónica impressa já se tornou, nos últimos anos, uma área de inovação importante. No futuro, a procura na Europa deverá provavelmente aumentar ainda mais. O que é que as gráficas que querem entrar neste setor têm de ter em conta?

Eletrónica impressa, isso soa a alta tecnologia. E a futuro, afinal, os consultores da Fortune Business Insights prevêem que, até 2032, o volume de negócios global neste setor cresça para 69,5 mil milhões de dólares americanos, com uma taxa de crescimento anual superior a 22 por cento.

Áreas de aplicação da eletrónica impressa

Técnicas como a serigrafia e a flexografia, mas também o jato de tinta industrial, são utilizadas principalmente na produção de

  • Sensores (temperatura, pressão, óticos)
  • Ecrãs para pequenos dispositivos móveis
  • Células solares
  • Etiquetas RFID
  • Fontes de energia
  • Elementos de aquecimento

são utilizadas. Muitas vezes, trata-se de circuitos relativamente simples, que são criados através da aplicação de pastas condutoras em folhas flexíveis ou diretamente em superfícies rígidas. As áreas de aplicação típicas incluem produtos para o setor automóvel e de defesa, cuidados de saúde, dispositivos vestíveis, produção de energia e climatização, bem como controlo de processos, monitorização e IoT (Internet das Coisas). Ou seja, todos os setores de atividade em que se prevê um crescimento significativo também no futuro.

Equipa de serigrafia para eletrónica impressa da INO. Foto: Sonja Angerer

Serigrafia na indústria

A utilização da tecnologia de impressão em processos industriais não é novidade. Já desde os anos 50 que, na Europa, se recorre sobretudo à serigrafia para revestir e decorar vidro, imprimir escalas para instrumentos de medição e rotular componentes. Às vezes, essas aplicações são produzidas nas mesmas linhas de serigrafia que também são utilizadas na indústria gráfica.

Às vezes, há até empresas de serigrafia que trabalham tanto na serigrafia gráfica como na industrial. Afinal, não há diferença na confeção das telas e, no que diz respeito ao processo de impressão, é praticamente irrelevante se se aplicam tintas, vernizes funcionais ou pastas condutoras.

Nos últimos anos, porém, têm surgido cada vez mais no mercado pequenas máquinas de serigrafia flexíveis, otimizadas especialmente para a produção de eletrónica impressa, como as do fabricante esloveno INO. Na maioria das vezes, estas são bastante compactas e podem ser combinadas com módulos de automatização e de acabamento, como empilhadores e desempilhadores ou unidades de secagem.

No campo da eletrónica impressa, a serigrafia é utilizada sobretudo para grandes quantidades de componentes económicos, bem como nos casos em que são necessários circuitos particularmente robustos com grande espessura de camada.

Na produção de pequenas quantidades ou protótipos de eletrónica impressa, as impressoras a jato de tinta especiais estão a tornar-se cada vez mais populares. São especialmente flexíveis e rápidas, uma vez que dispensam a etapa de serigrafia. Entre os principais fabricantes contam-se, por exemplo, a empresa francesa Kelenn Technology ou a Profactor, da Áustria.

Circuitos impressos em película. Foto: Sonja Angerer

Especialização em eletrónica impressa

Embora seja perfeitamente possível fazer serigrafia gráfica e industrial em paralelo, hoje em dia a maioria dos fornecedores de eletrónica impressa por serigrafia especializa-se exclusivamente nessa área.

Isso deve-se a várias razões:

  • Limpeza: A produção de eletrónica impressa requer, dependendo da aplicação, um ambiente praticamente isento de pó, por vezes até salas limpas.
  • Segurança: A eletrónica impressa é frequentemente utilizada em áreas sensíveis, como as finanças ou o setor do armamento.
  • Certificação: Muitos clientes exigem aos fornecedores de eletrónica impressa não só os certificados ISO habituais, mas também o cumprimento de outras normas dos fabricantes.
  • Investigação e desenvolvimento: Na eletrónica impressa, muitas vezes é preciso criar um processo complexo do zero.
  • Processamento posterior: Para que uma placa impressa se transforme num componente eletrónico, são necessários contactos e conectores. Por isso, é preciso comprar também máquinas de montagem automáticas, como as da Föhrenbach.
  • Garantia de qualidade: Ao contrário da serigrafia gráfica, os circuitos elétricos impressos têm de ser verificados não só superficialmente em termos de aspeto, mas também quanto ao seu funcionamento técnico. Para isso, pode ser necessário testar automaticamente cada componente individual para garantir a qualidade.

Os colaboradores experientes de uma gráfica de serigrafia conseguem, na maioria das vezes, criar modelos de impressão para a eletrónica impressa com um período de formação mínimo. Também o próprio processo de impressão é bastante fácil de dominar, especialmente no caso de circuitos mais simples. No entanto, são necessários outros profissionais especializados, por exemplo, com conhecimentos de eletrónica ou de ciência dos materiais. Normalmente, não se encontram profissionais assim nas gráficas. É por isso que existem consultores especializados, como o MSWtech Test Center Europe, em Nuremberga, que também dispõe de um ambiente de teste para eletrónica impressa flexível.

Máquina automática de montagem para ligações por encaixe em circuitos impressos. Foto: Sonja Angerer

Perspetivas futuras para a serigrafia na produção de eletrónica impressa
A eletrónica impressa é, sem dúvida, uma área em que a serigrafia continuará a ter um papel importante no futuro. Além disso, os avanços na ciência dos materiais e na tecnologia de impressão vão continuar a aumentar o desempenho e a variedade de aplicações da eletrónica impressa.

Isso torna esta área interessante também para empresas que, neste momento, se dedicam principalmente à serigrafia gráfica. Afinal, em alguns casos, é possível fabricar circuitos mais simples até mesmo com as máquinas que já têm. Especialmente se já tiveres contactos no setor, por exemplo, através de encomendas de impressão em grande escala, pode valer a pena expandir a tua área de negócio para a eletrónica impressa, mesmo para empresas de serigrafia de média dimensão. No entanto, é preciso estar disposto a investir em pessoal qualificado e em máquinas, e a familiarizar-te com uma área totalmente nova.